MANIFESTO FÉDON REVOLUCIONISTA







A única lei do homem haveria de ser o amor. A única lei da arte haveria de ser o amor à arte. A arte Pandêmia, a arte Urânia. A arte apolínea, a Arte dionisíaca. A arte contraditória e Barroca. A arte insumo da Arte. A Arte literária. A arte poética. A arte pintura. A arte música. A arte fotografia. A arte escultura. A arte arquitetura. A arte design da arte. A arte mimetismo da vida. A arte tradução dos códigos da alma. A arte indagação das inquietações humanas. A arte como expressão de descontentamento diante do mundo. A arte denúncia das mazelas que nos assolam. A arte o baquete de Platão.

- a mais valia e o capital segundo marx. As nossas classes são a deformada abstração do socialismo. O capitalismo corrompeu até mesmo os movimentos opostos.

Lei do homem, lei dos revolucionistas: canibalismo.

Lei do home, lei divina. Não deve existir perdão. Não há culpa para ser perdoada.

Lei do homem, lei da arte. O amor à arte salvará o planeta.

- a sociedade em retalhos analisada por Freud. O tabu confrontando-se com a liberdade de expressão. Os dogmas se impondo a vontade alheia. Schopenhauer: a vontade é o que move o mundo. O mundo é apenas uma representação. Viva liberdade do ser como vindo ao mundo.

O homem despido das amarras da moral. A moral é arma de controle.

O amor à arte acima da lei.

Neste novo século não há censura, há delimitações liberdade da expressão alheia. Expressão do corpo, expressão do sexo. Expressão das possibilidades de relações humanas!
Deus é uma besta que pousará no teu ombro na forma de pomba e te dirá: Filho eu te perdoou! Entrementes não existirá perdão se não houver culpa. 

O negro feito em Ketu trouxe nas costas o peso da nossa civilização. Os cristãos roubaram-lhes o ouro de oxum e supuseram roubar o raio de Iansã. 

O país da boiuna, o país da caapora, o país do boitatá. No Brasil não existe mais dia das bruxas, existe dia do saci. 

Onde foram fincadas as bases do nosso nacionalismo. O branco ao aportar na terra de Ubirajara trouxera junto com ele o estereotipo da musa de pele alabastrina. A tragédia grega reinou em Pindorama. 

O nosso herói indígena com costumes burgueses capitalistas. Nesse tempo o Brasil era um país feudal. Hoje ainda o é?! O comercio não se rendeu aos nossos encantos. 

Importamos a música e a literatura comercial. A arte não é comercio. A arte vai de encontro ao seu próprio fim. 

As vanguardas surgem da necessidade de mudar o que está sorvendo o néctar da bancada presidencial. As vanguardas nascem da necessidade de confrontar o que está persuadindo a grande massa.

Hoje não se sai de casa com medo de ser atacado por um bandido. Ou se é gay e é-se atacado por um homo fóbico, ou se é uma jovem de dezoito anos e acometida por um súbito amor de vampiro sadomasoquista.

O símbolo como representação abstrata da realidade. Macunaíma ou Zaratustra? Ambos.

A lei do homem é a lei do homem. A voz do povo é a voz de uma multidão. A multidão não é a massa, a massa é burra. A multidão que vai a rua e esbraveja contra o sistema opressor. A multidão que vai a rua e grita God don’t hate fags. A multidão importa e em contra partida exporta. A multidão é sabia. A multidão é revolucionista.

Queremos o canibalismo exacerbado. Devora. O Simbolismo. Devora. O Modernismo. Devora. O Romantismo. Devora. O Homo erotismo. Devora. Art. Queer! Queremos a revolução de Stonewall. Queremos o escândalo de Cleveland Street. Queremos a revolução caraíba e a revolta dos Malês

 

Não somos comunistas, somos revolucionistas. 

 

A literatura vai de encontro ao seu próprio fim. É necessário reinventar para mantê-la de pé.

O que ensinam hoje nas escolas? Amar um vampiro é literatura. Amar um lobisomem é literatura. Amar um zumbi é apocalipse. Amar a deus é ditadura. 

Quando a Princesa Isabel libertou os escrevas. Libertou? O terreiro de Jesus entrou em festa. Na cruz de madeira ainda, o deus menino chorou as suas ultimas lágrimas e vociferou contra deus. No terceiro dia ressuscitou na África, trazia nas mãos um atabaque e por traz da cabeça o sol. 

A nova música brasileira é uma copia fajuta de compositores ancestrais. 

A nova literatura é uma cópia? Não existe literatura. O capitalismo criou o Best Seller. 

Certa vez um poeta perguntou-se onde fora parar as suas poesias. O diabo respondeu-lhe, abriu-se uma nova inquisição, os moralistas queimaram-nas numa fogueira de gelo seco. 

Da antropofagia ao Tropicalismo. A nova identidade do brasil. 

Quando Cabral chegou as américas gritou: em nome de deus venceremos mais uma cruzada. Pe. Viera escreveu seu primeiro sermão, mas não nos catequisou. O índio se esqueceu da sua identidade, mas o negro, malandro, esperto, sincretizou nas santinhas os seus orixás. Hoje cultuamos santa Barbara ou Iansã?

Quando o bom crioulo aportou no brasil, já tinham aportado aqui. Já estávamos catequizados, ou tudo havia se tornado carnaval. No ria uma escola de samba homenageava Machado de Assis.

A língua falada sem a moral estética. A língua sem polimentos. A língua dita nas favelas, nas cidades mais escondidas. Longe da gramática. O poeta uma vez disse, quando se tem a visão do poema ele não vem pontuado, acentuado nem “parnasianado”. E essa palavra existe? Somos nós que limitamos o texto a forma.

Contra o anarquismo da arte, as necrópoles que visam à estética. Surge em ponto de bala uma nova vanguarda ou manifesto. Fédon de Elis. Os revolucionistas.


 Marcos Welinton Freitas

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A Arte de J. Magalhães